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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Boato Nas Redes Sociais Diz Que “LAMIA” (Empresa Que Transportava As Vítimas Do Acidente Na Colômbia) Significa Um Tipo De “Demônio Devorador“

Infelizmente a tragédia ocorrida nesta semana com o time chapecoense ainda é motivo de muita especulação entre pessoas que, ao que parece, não utilizam muito o bom senso.

Após a divulgação de material inadequado por alguns canais de notícia, dessa vez circula nas redes sociais o boato de que “LAMIA“, nome da empresa que transportava as vítimas do acidente na Colômbia, significa um tipo de “demônio devorador“.

Lamia, na mitologia grega, era uma rainha da Líbia que se tornou um demônio devorador de crianças. Chamavam-se também de lamias, alguns tipos de monstros, bruxas ou espíritos femininos, que atacavam jovens ou viajantes e lhes sugavam o sangue. Sua aparência varia de lenda para lenda. Na maior parte das versões, contudo, seu corpo, abaixo da cintura, tem a forma de uma cauda de serpente.

De acordo com a versão mais corrente, Lamia era uma belíssima rainha da Líbia, filha de Poseidon e amante de Zeus, de quem concebeu muitos filhos, dentre os quais a ninfa Líbia. Hera, mulher de Zeus, corroída pelos ciúmes, matava seus filhos ao nascer e, ao final, a transformou em um monstro (em outras versões Lamia foi esconder-se em uma caverna isolada e o que a transformou em um monstro foi seu próprio desespero). Por fim, para torturá-la ainda mais, Lamia foi condenada por Hera a não poder cerrar os olhos, para que ficasse para sempre obcecada com a imagem dos filhos mortos. Zeus, apiedado, deu-lhe o dom de poder extrair os olhos de vez em quando para descansar.

Lamia mitológica serviu de modelo para as lamias (Lamiae em latim), ora descritas como bruxas, ora como espíritos e ora monstros, humanos da cintura para cima, mas com caudas de serpente. As lamias atraíam os viajantes expondo os belos seios e emitindo um agradável cicio, para depois matá-los, sugar seu sangue e devorar seus corpos. Neste aspecto, as lamias constituem um antecedente dos súcubos da Idade Média e das modernas vampiresas.

Com frequência a Lamia é descrita nos bestiários de outras culturas como criaturas de natureza selvagem e maligna, com garras nas patas dianteiras, cascos nas patas traseiras, rosto e busto femininos e o corpo coberto de escamas. Também é associada à Lilith da mitologia hebraica. Nos folclores neo-helênico, basco e búlgaro podem ser encontradas lendas sobre Lamias, herdeiras da tradição clássica.

Na mitologia basca, as lamias são gênios com pés e garras de ave e cauda de peixe. Quase sempre femininos e de admirável beleza, moravam nos rios e fontes, onde costumavam pentear suas longas cabeleiras. São em geral amáveis, mas ficam enfurecidas se alguém rouba seus peixes. Às vezes se apaixonam por mortais e até têm filhos com eles, mas não podem se casar.

No folclore búlgaro, as lamias são criaturas misteriosas, geralmente femininas, com muitas cabeças, que, se cortadas podem se regenerar (como a Hidra de Lerna). Vivem em cavernas ou no subsolo e atormentam os povoados, alimentando-se de sangue humano ou devorando mulheres jovens. Em algumas versões têm asas, em outras sua respiração é de fogo. 

O que tais pessoas parecem ter esquecido é de verificar a etimologia do nome dado a empresa aérea, cujo verdadeiro significado é L-A-M-I-A = Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación, sendo, portanto, a palavra LAMIA uma sigla em espanhol e não uma palavra de origem grega.

O simples fato de uma sigla coincidir com outros termos, sejam eles considerados positivos ou não, não prova absolutamente nada sobre a intenção da palavra, especialmente num contexto onde os idiomas são compartilhados com diversas origens históricas, alterando com o tempo o significado de alguns.

O que fica evidente em situações como essa é que precisamos aprender a discernir a origem e a qualidade das informações repassadas na internet, especialmente nas redes sociais, uma vez que isso pode favorecer a disseminação de boatos ofensivos, caluniosos e, no caso em questão, sofríveis, para quem diante do luto se depara com tamanha especulação.

Fonte:Gospel Mais\Rede GNI

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